02 janeiro 2012

Numa noite agradável,eu vinha caminhando
Quando escutei um choro abafado e tímido

Era choro de um menino.
E assim, não pude conter-me:

Sentei-me ao seu lado e enfim
Quis saber a razão de sua tristeza

O garoto sem sequer me olhar
Contou-me uma história sua

De uma batalha sem guerra
De uma luta sem oponentes

[...]

Logo pude compreender que hoje
Ele vive em tempos de calmaria

E que na verdade o menino que chorava
Não era mais um menino

Era já um homem, deixando apenas reviver
Em suas lembranças tão vivas
A parte frágil oculta e escondida
Daquele menino forte que ele fora um dia.

E então me apaixonei pela sua história,
Por sua batalha, por um menino frágil e forte
E pelo homem em que ele se tornou.

26 setembro 2011

Nas vezes em que permito
Que minha mente vague por aí
Sou capaz de espiar por entre
A fresta de uma porta branca

E é através deste minimo espaço
Meus olhos se iluminam com o que vejo:
O futuro.

Não posso conter o sorriso fácil
Que surge em meu rosto
Ao ver meus planos, todos ali
Concretizados em minhas mãos envelhecidas

Tampouco posso conter o rubor dos olhos
Ao ver tuas mãos,que mesmo marcadas pelo tempo
Sou capaz de reconhecer

Pois meus planos já não são inteiramente meus
E meu futuro coincide com o teu

E com você, quero colecionar sonhos
E enfim a porta branca estará aberta
E enfim chegaremos ao futuro
Juntos.

09 março 2011

Convites...

Viaja comigo...
Seja pela estrada,
Ou quem sabe até num zeppelin

Fica comigo...
Mesmo que seja apenas
Para compartilhar-mos o silêncio

Me chama para ouvir um samba...
Pra gente nunca esquecer
Que ele é a nossa raiz

Entregue-se ao cansaço...
E, adormecendo em meu abraço
Me faça também adormecer

E, enfim :

Venha ser sempre e para sempre
Protagonista dos versos que escrevo.

18 dezembro 2010

Felicidade é um sorriso
Dado assim, de graça
Um riso que escapa
Sem ter bem um motivo

É aquele tal olhar perdido
Fitando o vazio e o infinito
Enquanto a mente viajante visita
As lembranças mais magnificas

É abster-se da vontade do eterno
E ter vontade do infinito
É entregar-se ao novo mesmo temendo-o
Aceitar que o medo é completamente normal

É compreender que não se tem
Tudo aquilo que desejamos
E mesmo assim sentir-se
Completo

08 novembro 2010

Respostas em negrito.

Tenho me afastado
De qualquer lógica
De qualquer razão

E num dialogo com o vazio,
Questiono o quanto me resta
De sanidade ou juizo

Pois que ao final de cada dia
Percebo um novo espaço entregue
De pele e alma

[...]

Quando razões aproximam-se
Tentam enfim me afastar
Deste desvario de nome já conhecido

Porém, pouco é necessário
Para que a este eu retorne:

Basta ouvir uma respiração
Que não é minha
Ou sentir uma palpitação
De um coração que não bate em mim.

18 setembro 2010

Acontece sempre
Que fecho meus olhos
Alguns minutos de espera
E pronto...

Eles vem até mim
E incontroláveis como são
Mostram meus desejos,
meus medos, minhas memórias

São inteiramente meus
Um universo todo particular
E tantas vezes sequer possuem sentido
Aparente

E o mais maravilhoso:
São capazes de tornar possiveis
Qualquer impossibilidade

Como o encontro
Com quem já não encontramos
Como o despertar para uma realidade
Que ainda é sonho.

08 julho 2010

É logo ali,
Naquela casinha branca
De janela aberta à rua
Que vive um pianista

E é bem aqui,
Aqui mesmo na calçada
Que sento-me todas tardes
Às cinco em ponto

Domingo à domingo
Desde que o descobri
Venho escuta-lo

Sinto-me num concerto
Todo particular
Sem platéia
Sem estrela ou estréia

Somos só eu,
a calçada e a casinha branca
A ouvir meu pianista

Creio que minha presença
Seja ainda desconhecida
Imagino quando serei descoberta

Talvez seja um desconcerto
Talvez invente desculpas:
Perdi algo no chão,
Cadarços desamarrados

Talvez confesse
E ainda peça
Que me deixe entrar

Na casinha branca,
na sala de piano,
ou quem sabe até
em sua vida.

* E esse aqui é de presente pro meu pianista favorito ;]