Um homem de ferro
Na força dos ombros
Na expressão do rosto
Ao meio dia chegava para o almoço
Cruzava o quintal em silencio
Sentava-se à cabeceira da mesa
Ao levantar, beijava-me na testa
E partia para a rua
Ás seis horas chegava do trabalho
Cruzava o quintal em silencio
Sentado no sofá, lia notícias
Atravessava o corredor a caminho do quarto
Espiava-me pela porta em longos minutos
Assistia meu sono
E enfim ia para cama
[...]
E eu sabia,
Mesmo com os poucos anos vividos,
Que seu olhar duro era capaz de ser doce
O homem de lata possuía coração
E eu o amava
E amarei
Para sempre.